Heráldica

 

 
A vontade de fazer poesia passou.

Por agora. Talvez.

A alma dolorida de antes, pulsando,
a alma sangrando se deixou envolver
pelo lastro da ausência,
pela força rasteira,
pelo traço bruto de cada dia
– e pelos próprios brutos.

Mas, terá morrido?
Ou, o que é pior: sido vencida?

Hoje é de cisma e de vento
essa resistência débil,
a sombra esguia remonta ao passado
e nada mais;
é a chama que se não redesenha,
e o brilho – quão raro – resta mera
adivinhação; barata, e fugidia.

Vem então agora, ressequida estrela,
restituir a promessa,
alce-me de volta ao que nascia,
não permita pena assim infame
a um mero desvio infante, de quem só fugia
por se assustar com a dor, buscava apenas
um refúgio,
um aparte,
sem pressentir a besta e a apatia,
esses presentes tortos desses seres disformes e ocos.

No mais, o tom monocórdio
– deleteriamente recorrente –
cansa esta alma, ou o que restou dela.

Forçoso aprender novos ritmos.

Imperativo adentrar novos rumos, se quisermos
– se quisermos de verdade –
reaver o comando da luta
e o frêmito do mais puro estímulo,
aquele fogo que arroja adiante e recobra,
de um simples instante,
a juventude dos olhos e a vontade sagrada.

A vontade sagrada! Seja esta enfim, e sempre,
nosso símbolo, nosso moto, nosso brasão.

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