Hora de jogar pra trás,
por detrás dos ombros,
ultrapassar as estátuas de sal.
Há que pausar a ceifa,
acumular a seiva,
talhar o passo em suor,
ser guerreiro,
que sonhar apenas
faz dias de vento.
A rua vazia não é poesia,
antes traz:
desalinho,
desconforto,
solidão.
Uma pilha de papéis rudes:
que fazer?
“O mundo não vale o mundo”,
hoje a lide moderna
despreza os sebos.
Parar de querer entender
se ausência ou estofo,
o que é que inquieta,
torce, arremessa,
extenua a alma perplexa,
inválida…
Enfim percebo, de soslaio,
o meu defeito, tão só meu,
displicentemente cultivado.
E o lavrador, alheio
acorda com o galo, mais feliz
do que jamais ousei:
para à porta, saúda o sol
e a sua muda prece é olhar o céu…
