Envergadura

Mas o que foi
daquela torre, da altura,
da floresta lá embaixo?

Pois só pisava lá
quem detinha o poder.

Esmaeceu,
sente-o furtado,
mas foi só
o que tinha de ser.

Hoje se embrenha em raízes, não é cego,
mas tropeça por olhar tão somente
para o alto.

Vê, comtempla esses charcos
e se esquece de vez
do ócio do sapo:
é seu somente o momento
de recomeçar.

Existe uma bênção, de que nunca se lembra
da falta de pedras no seu caminho.

Tem as rédeas nas mãos.
Deixa-os irem, sapos ou o quê
e retoma o curso que é seu.

Amarras soltas, pode finalmente
escolher a direção:
dirija-se, então.

Está cansado,
o corpo reclama e você ainda o maltrata,
a mente mal saiu da vertigem,
mal dirimiu a miragem,
está sem fôlego e a dúvida o assalta.

Mas que é da coragem que falta?
Acaso soldados outros que não os seus,
esses já caíram,
ameaçam-lhe à ponta da espada?

Anônimo finalmente, sabia que o dia
viria em que o teria de ser.

No entanto, brilha.

Sozinho, quieto, num canto. Mas brilha,
que a gema incandesce
de dentro,
e é pra dentro que se deve voltar por agora.

Não se aflija com a demora,
todo tempo é fugidio.
Lastros, voos,
cesse de se intoxicar!

Há uma força dormente,
mas quem dorme ainda vive;
na marcha fraca de quem sai de uma gruta
cego pelo sol, as suas mãos são trêmulas:
descubriu-se humano e frágil, contende
com a própria prostração:
saiba-o o normal
de quem rompe, irrompe de longa,
de uma horrenda hibernação.

Seu coração intui, não obstante,
um estandarte empoeirado
aguardando as suas mãos;
vem de distante passado,
atravessou os prados
e chora, silente:
não é de seu engenho fazê-lo esperar.

Recompõe a sua força, guerreiro,
que o que anseia também lhe espera,
e parte sem demora:

Segue com a força que tem.

Dentro de si um ímã atrai
uma agulha, segue o norte
que ela aponta:
a cada passo volta o tônus,
mister se o empreenda
como quem se conhece e sabe:
parar, agora, somente
para recarregar.

Ao norte é o seu estandarte,
retoma-o de direito:
antes de subir a torre,
de torná-lo a tremular,
cuida de sacudir-lhe a poeira:

Sabe aonde tem que chegar!

 

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