Deplorável mundo oco

Os tempos idos,
estarão findos?

Parece-me que o matiz, o sutil e as nuances
jogaram a toalha, retiraram-se,
entregaram o jogo por fim.

O que resta é pedraria, os mais velhos se esqueceram
e os jovens se abandonam furiosos à forma,
nos primórdios do coração;
suas fibras, intocadas, no entanto esperam.
Um aguardo sem escolha, furtado a toda fé.

A herança do passado vigia,
guarda e vela, um esforço fútil.
Resignada, em abandono, não lhe resta senão
a coragem do testemunho:

assistir a beleza se perder
e renunciar enfim às suas cinzas
— sem escolha,
sem remédio — ,

espalhando-as numa brisa cegamente

indiferente.

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